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APÊNDICES
Uma Filosofia de Vida
Pegando carona na atitude de alguns
IIr.'., quando mostram-se sinceros e verdadeiros, aproveito para falar
algo sobre a minha própria filosofia de vida. Por favor, àqueles
que me conhecem, não encontrem nada de pessoal aqui, relacionado
diretamente a alguém ou mesmo relacionado com qualquer tipo de
situação isolada ocorrida em minha vida. São apenas
palavras nas quais depositei alguns momentos de reflexão, e como
meras palavras devem ser lidas.
Sobre ser sincero, mais ou menos é o que eu penso e aplico em relação
a minha própria vida e àqueles que me cercam. Contudo -
e isso se aplica a meu modo de ser - aprendi que nem sempre a simples
e honesta atitude de dizer o que se pensa é suficiente para cultivarmos
um mundo, pelo menos, um pouco melhor. Às vezes, o efeito é
até contrário, pois geramos dor, mesmo que a partir de nossa
mais pura honestidade, ou sinceridade. Daí a necessidade de desenvolvermos
uma sensibilidade a mais ao exercermos a tão proclamada sinceridade
que nos causa tanto orgulho; de desenvolvermos um certo tato que nos habilite
a dizer exatamente o que queremos, mas também com a devida preocupação
com o efeito que nossas palavras causarão.
Conheço pessoas que são totalmente francas e sinceras. Todavia,
algumas delas estão tão acostumadas, viciadas e ocupadas
com o valor da própria sinceridade, que nelas não há
espaço para sequer pensar na hipótese de existir alguém
sendo, duramente ou não, atingido por está sinceridade.
Isso, para mim, é puro egoísmo e até falta de educação.
Respeito ao próximo, parece não existir nestas pessoas.
É claro, a sinceridade crua pode até ser considerada uma
nobre virtude, assim como a uva é uma fruta saborosa em seu estado
natural. Vinhos, porém, são uvas trabalhadas. Trabalhar
a sinceridade, então, da mesma forma, pode gerar algo de muito
belo também. Evidentemente, às vezes, nada disso é
necessário e ser apenas sincero, basta.
Finalizando, talvez o que de mais belo eu tente assimilar, o mais precioso
ensinamento que tenho me esforçado (e forçado) para aprender
nos últimos anos, foi magistralmente gravado pelo nosso Avô
Lao Tse, quando disse, sobre o Santo-Homem, que ele sabe prescrever sem
ferir, advertindo sem humilhar, retificando sem oprimir e, por fim, Iluminando
sem ofuscar. Isso é o verdadeiro exercício da Arte que procuro
aprender e o que procuro verdadeiramente ser.
Bem, acho que ainda estou há alguns anos-luz deste estado. Mas
eu chego lá.
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