Afinal: Thelema é ou
não é uma religião?
Após
a publicação de meu artigo
sobre a religião thelêmica, tenho sido
frequentemente questionado pelos estudantes do Sistema
Inciático proposto por Aleister Crowley a respeito
da Lei de Thelema ser ou não ser uma Religião.
Aproveito este espaço para deixar, mais uma vez,
registrado o que penso sobre o assunto.
Pessoalmente, creio que há pouco o que se discutir sobre isso. De fato,
Thelema é uma religião, com todas as peculiaridades próprias
a qualquer outra religião. Thelema possui sua 'Bíblia' (chamada
pelos thelemitas de 'Liber Al vel Legis'), seu Profeta (Aleister
Crowley), seus dogmas, deuses, sua teologia, liturgia, Igrejas, Missa, eucaristia,
batismo, orações, ofertório, fiéis, etc. Até mesmo
uma fantástica lista de Santos a religião thelêmica possui.
Tanto considerar Thelema
uma religião quanto Crowley um Profeta está perfeitamente
de acordo com os textos do fundador desta religião.
Por exemplo, sobre Thelema ser uma religião, Crowley
falando a respeito do comportamento religioso do thelemita,
diz de modo muito claro que "When you drink and dance
and take delight, you are not being immoral, you
are not risking your immortal soul; you are fulfilling
the precepts of OUR HOLY RELIGION". Ver em Crowley,
A. The Equinox,
Vol. III, nº 10, ed. Hymenaeus Beta
- Samuel Weiser Inc. (Maine, 1990), p. 48. Já quanto
a questão de considerar Crowley um Profeta, ele
mesmo, falando na terceira pessoa diz que "This title
is given to him more frequently than any other". Veja
a referência em Crowley A. The
Equinox, Vol. V nº 2,
ed. Marcelo R. Motta - Thelema Publising (Nashville, 1979),
p. 215.
A O.T.O., por exemplo, sobremodo a sua variante conhecida
pela alcunha 'Califado', é bem
clara sobre o fato de Thelema ser um Religião. De acordo com seu dogma
iniciático, em sua página
oficial é explicitamente dito que "The RELIGION known as Thelema
was founded in 1904 by the English poet and mystic Aleister Crowley (1875 - 1947),
who is regarded as its PROPHET". Alguns thelemitas, entretanto, são
um tanto que compreensivelmente reacionários quanto a chamar a religião
thelêmica de religião, visto o inevitável e indesejado peso
trazido por esta palavra. Daí a tendência de se entender thelema
como uma 'religião' no sentido filosófico.
Há de se dizer, em complemento, que a idéia de não se considerar
thelema um religião é muito válida. Isto é semelhante
a idéia de considerar o cristianismo apenas uma filosofia de vida. Por
exemplo, vc pode estar orientado pela idéia de ser uma boa pessoa que
vive de acordo com os princípios pregados pelo Cristo, sem se submeter às
obrigações religiosas impostas, por exemplo, pela Igreja Católica.
Deste modo, resumidamente, vc não precisará ir a Missa e muito
menos deverá obediência nem ao Papa e nem a ninguém que componha
o eternamente obeso séquito católico. Vc será um tipo de
Cristão 'não praticante', sendo o cristianismo para vc uma saudável
Filosofia de Vida.
Do mesmo modo ocorre com um thelemita. A pessoa poderá viver de acordo
com sua regra de 'Faze o que queres', mas não se submeter a nenhuma das
imposições religiosas e dogmáticas, próprias da religião
thelêmica instituída, através de suas Ordens Religiosas.
Repetindo a indicação já feita aqui, caso alguém
queira ler um pouco mais sobre os fundamentos da religião thelêmica,
uma introdução ao assunto pode ser encontrada em meu artigo Thelema:
Uma Religião da Nova Era.
Fraternalmente:
Carlos Raposo
em 21/07/2004
Quarta-feira, dia de Mercúrio.
"A Vida é a minha Religião, o Universo
meu Altar"
NOTA adicional (em
21/08/2007): como acima eu citei a O.T.O., a respeito do
tema deste brevíssimo editoral creio que aqui valerá
repetir as palavras de Sabazius Xº, Rei desta Ordem
para os EUA. Ele é bem taxativo: "We are a religious
Order. Our religion is that of Thelema". Fonte: aqui.
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