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Debates sobre Hermetismo, filosofia Oculta e misticismo emgeral. Uma das maiores listas em português sobre ocultismo.

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Fórum livre de discussão sobre a Lei de Thelema, para Estudantes do Sistema de Iniciação proposto por Aleister Crowley.

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Que a Beleza seja sempre a Beleza!

Os símbolos com os quais tomamos contato durante a jornada do Aprendiz nos mostram nossas potencialidades e também predizem o que poderemos vir a ser. E eles, perfazendo uma só voz, como se fossem um bem afinado coral, nos afirmam que o estudo e a prática das Ciências Sagradas terá a capacidade de nos tornar seres humanos melhores, mas dignos, retos, espiritualizados, etc.

Tendo esse pressuposto como base e como - por analogia - constatamos que o trabalho a ser realizado é interno, ocorreu-me de um breve pensamento a respeito. Ele vem nos dizer que a "melhoria" que o estudo das Ciências ditas Sagradas promove naquele que envereda pelos caminhos do mistério, pelos caminhos da Iniciação, de fato acontece. Mas ele também diz que isso ocorre apenas em certos casos e que o termo "aprimoramento", seria bem mais apropriado de se usar, visto abranger a quase totalidade dos casos.

É comum notarmos, desde que o Aprendiz se adentra pela senda iniciática, certas pretensas "boas" modificações ocorrerem, principalmente, em seu comportamento social, perante seus amigos e familiares. Consideramos que tal "melhoria", antes de ser apenas o efeito de uma doutrina externa qualquer, apenas é o resultado do "aprimoramento" da substância da qual é composto o Iniciado, em essência. Creio ser esse um tema interessante, pois é comum verificarmos - como estará apresentado ao longo dessa breve exposição - exatamente isso, especialmente com relação a alguns estudantes. Além disso, creio que esse pensamento valerá também como um pequeno aviso, pois todos nós, de uma forma ou de outra, podemos estar sujeitos a descobrir algo desagradável em nossa própria natureza, expressa como nossa vontade.

Em principio, eu também concordo com isso, que a natureza e a beleza da instrução oferecida pelas Ciências Sagradas, e pelas Ordens que a representam, leva o Aprendiz a uma suposta melhoria. Não é simplesmente a toa que há muito é dito que o estudo e a vivência do sagrado têm essa propriedade - conhecida por certos Iniciados como a obra de desbaste da pedra bruta - de transformar a matéria em estado original (o Aprendiz) em algo próximo ao perfeito, ou até mesmo perfeito, no caso do, digamos, estado "Além do Adeptado".

Essa capacidade de transformar a matéria original (ou bruta) em algo (talvez) divino, tem, segundo a maioria dos Sistemas de Iniciação, direta relação em quão profundo está o Iniciado envolvido com os termos de seu Sistema de Aprendizado, ou de Consecução Mágica.

Assim, uma natureza bruta qualquer (um estado inferior) poderia ser burilada e trabalhada, até ser transformada em algo precioso. O escritor Victor Hugo, magistralmente, sintetizou essa idéia na frase: "Deus criou a água, o homem fez o vinho".

Mas, generalidade gera obscuridade. Existe um porém nessa historia, que gostaria de apresentar rapidamente: há uma bem conhecida assertiva alquímica, mas parecida com uma injunção, que diz "a nobreza de um metal apenas pode ser obtida através da nobreza deste próprio metal", ou, como ficou externamente conhecida pelo vulgo, "só se produz ouro com ouro". Isso é interessante, pois a natureza (caráter, talvez melhor dizendo) dos humanos é múltipla e diversa, sendo que o aprimoramento das mesmas apenas vem a desvelar a verdade da qual ela é composta. O estudo dos Temas Arcanos, tendo, como já dito, a propriedade de aperfeiçoar o Estudante ou Aprendiz, apenas agirá naquilo o qual é composto o próprio Estudante. Desta feita, enquanto que no Digno, o precioso saltará aos olhos, no Indigno, o vil será exaltado. Enquanto que o Belo, mas belo parecerá, o Feio, ainda mais feio se tornará. Até na Bíblia há uma referência que pode ser entendida desta forma, a qual diz "àquele que tem, ainda mais lhe será dado, quanto ao que pouco tem, até mesmo esse pouco lhe será tirado".

Ainda sobre o tema, também foi dito por certo Iniciado (Aleister Crowley), de modo cru e esplêndido, que aquele "que é correto deverá permanecer correto; aquele que é imundo deverá permanecer imundo". Enfim, a despeito de todos os nossos esforços e do Conhecimento do Sagrado que porventura conheçamos, ao final só poderemos aperfeiçoar e nos tornar aquilo que, em essência, nos já éramos, ou possuíamos.

Sobre isso, para quem quiser meditar, deixo aqui algumas sólidas palavras de Giordano Bruno, as quais me servem constantemente de inspiração e alerta. Ele, de forma bem mais letrada do que eu, expôs o tema com sua peculiar maestria, há mais de quatrocentos anos atrás:

Louvemos, então, a Antigüidade quando tanto valiam os filósofos [ou Iniciados] que de seu seio é que provinham os legisladores, os conselheiros, os reis; e tão dignos eram esses conselheiros e reis que desta função passavam a sacerdotes. Em nossos dias, de tal modo é feita a maioria dos sacerdotes que acabam sendo causa de escárnio e, por eles, são escarnecidas as leis divinas; assim, também sobre quase todos os que se chamam filósofos recai o desprezo e, através deles, as ciências são vilipendiadas. E, além destes, existe a multidão de biltres, que, como urtigas, com hostis elucubrações, costuma oprimir a virtude e a verdade, que aos raros se revelam.

"Serei eterno inimigo de quem afirmar que aqueles
[os biltres] fazem parte e [são] membros de nossa pátria, a qual conta somente com gente nobre, educada, regrada, discreta, humana, sensata como qualquer outra. Aqueles aqui estão como na sentina do navio se encontra a Imundice, a borra, a sujeira, a podridão, e de modo algum poderiam considerar-se parte do reino ou da cidade. Por eles não devemos nos ofender, o que seria envilecer-nos. Não excluo de seu meio grande número de padres e doutores, alguns dos quais, mediante o doutoramento transformaram-se em verdadeiros gentis-homens; a maioria, entretanto, que inicialmente não ousava revelar sua natureza grosseira, com seu título de letrado ou de sacerdote, passa ousadamente a manifestá-la. Não espanta, portanto, verem-se muitíssimos que, com doutorado e presbiterado, mais cheiram a récua, rebanho e curral do que os próprios estrumeiros, pastores e boieiros.

Pois é, e isso de vez em quando ocorre...

Assim, se, por um lado, tanto a beleza ("que a Beleza corresponda sempre a Beleza" - disse aquele mesmo certo Iniciado), quanto a integridade de caráter podem ser aprimorados, se tornando ainda mais brilhantes; do mesmo modo, desta feita por outro lado, o mesmo acontecerá com a arrogância e a prepotência natural (original) de alguns Estudantes.

E as "coisas" continuam como sempre: cada um só pode oferecer aquilo que possui. É algo como a cor do sangue. Assim, o grosseiro, independente de sua erudição, usará palavras grosseiras; e o suave, palavras suaves. O feliz se expressa alegremente, enquanto que o triste não consegue esconder o seu pesar. O sábio segue sendo sábio, a todos levando sua grandiosa luz; enquanto que o tolo, sendo fiel escudeiro da própria tolice, vendo em tudo e em todos, falsidade, falta de representação e pseudo-sapiência, segue se afundando na imundice da qual é composto.

Mas o exemplo dado pelos tolos é apenas uma pequena parte da historia, e não é a parte mais bela, com certeza. E embora seja interessante saber da existência desse mau exemplo, não valerá nos determos nele.

Sim, pois os verdadeiros sábios sempre estarão por aí, transmitindo seu valor, de modo silencioso e constante, fazendo crescer o trabalho ao qual estão dedicados, sem os comuns escândalos que são tão próprios dos "irmãos menores".

Fraternalmente:

Carlos Raposo
em 02/06/2004
Quarta-feira, dia de Mercúrio.
"A Vida é a minha Religião, o Universo meu Altar"

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