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Largando as Sementes

Em conversa com um participante da Lista Arte Magicka, este me solicitou que lhe mandasse novamente minha mensagem "Largando as Sementes". Ela apresenta uma pequena historia dos macaquinhos que não largam as sementes. Resolvi colocá-la aqui, pois esse é um ponto interessante para se meditar, como tratarei de demonstrar.

Mas, que seja dito, a historia é verdadeira! Espero que a lição, nela contida, possa também ser verdadeira à quem dela fizer seu direito. Pensando bem, de uma forma ou de outra, sob vários aspectos de nosso cotidiano, ela se aplicará a todos nós...

Ha' na África uma tribo que ficou famosa através de uma série de filmes denominada "Os Deuses devem estar Loucos": os Bosquimanos. Eles formam um povo curioso que mistura sua fantástica sabedoria com um peculiar modo de viver. Uma de suas práticas mais bizarras é exatamente o modo sem igual de caçar babuínos, que se dá da seguinte forma: um tranquilérrimo bosquímano, depois de localizar um grupo de babuínos, senta-se relaxado bem na frente dos macacos, mantendo uma segura distância (20 a 30 metros). Logo depois de confortavelmente se instalar, ele começa a comer frutas e algumas sementes, tudo à vista dos irrequietos símios. Esses logo têm a atenção capturada pela suculenta refeição do bosquímano. Em seguida, morosamente, aquele nativo do continente mãe prende uma cabaça em uma árvore e, através de um pequenino orifício, nela coloca algumas parcas sementes. E tudo inteiramente à vista dos curiosos primatas.

Em seguida, como quem não quer nada da vida, o bosquímano simplesmente vai embora.

Assim que o bosquímano some, imediatamente, um macaquinho corre feito um louco e, crente que abafou, mete a mão na cabaça para avidamente pegar as sementes. Resultado: com a mão fechada ele fica preso à cabaça! Para se soltar e ficar novamente livre, bastaria que o infeliz babuíno abrisse a mão e largasse as sementes. Mas ele, depois de ter pegado as "suas" sementes, não quer mais perdê-las, em hipótese alguma, mesmo às custas de sua "escravidão".

As cenas seguintes são patéticas: enquanto o macaquinho, com a mão bem fechadinha ainda agarrando as sementes, freneticamente tenta, berrando e se debatendo, escapar do ardil, o bosquímano vai, lentamente, fazendo uma coleira de couro, se aproximando do símio panaca. E como o estúpido babuíno não consegue mesmo escapar da armadilha, tamanha é a vontade de possuir aquelas sementes, ele é laçado e capturado pelo indígena.

Repetindo, isso é uma prática comum e verdadeira entre essa tribo.

Agora, com a história narrada, cabe a cada um de nós refletir sobre nossas próprias ações. Em nossas vidas, somos constantemente assaltados por emoções ou situações recorrentes, que teimam em nos ‘aprisionar’, assim como as sementes aprisionavam o macaquinho. Nossa tendência e apego àquilo considerado precioso, sagrado, de nossa exclusiva propriedade, pode ser uma armadilha e impedir nosso avanço pela senda, na própria vida.

Analogamente, com relação a alguns Irmãozinhos, os quais, pretendendo fazer as vias do Sábio Thoth (Hermes), apenas conseguem simular a atitude do macaco de Thoth (aliás, um babuíno). Nestes casos, parece que o ardil continua assaz eficiente, pois há aqueles que, uma vez formada uma situação, insistem em não soltar as míseras "sementes", por pior que seja essa situação, permanecendo irremediavelmente presos a uma tolice sem tamanho... Se aqui a figura do bosquímano, que tirará o couro do infeliz macaco que por não largar as sementes insistiu em manter a sua situação, será, ou não, o símile de um daqueles Senhores do Karma, em relação ao futuro, tal é algo que eu me recuso a dizer. Mas os dias que estão por vir, eles sim, apenas eles, o dirão.

Fraternalmente:

Carlos Raposo
em 14/04/2004
Quarta-feira, dia de Mercúrio.
"A Vida é a minha Religião, o Universo meu Altar"

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