Thelema
e o Número 11
por Carlos Raposo
www.artemagicka.com
Outra questão que me chega constantemente diz
respeito ao valor simbólico do numeral 11, cujos
mistérios possuem tremenda relevância
dentro do Sistema de Iniciação proposto
por Aleister Crowley. O estudo e a análise deste
Undécimo Arcano, sob o ponto de vista thelêmico,
muito trará para a consciência do Adepto
ou do Estudante do Ocultismo, principalmente quando
este for capaz de não se deter ou limitar antes
as extravagantes ressalvas a ele atribuídas.
Que fique claro, contudo, que o exposto abaixo segue
uma linha de entendimento particular, totalmente em
concordância com o Aprendizado e o Conhecimento
Thelêmico. Portanto, aqui, fornecerei alguns
elementos iniciais para que os thelemitas, ou quaisquer
interessados, possam meditar a respeito e daí começar
a tirar suas próprias conclusões.
Sobre o numero
11, alguns ocultistas, como Dion Fortune e seus seguidores,
por exemplo, o associam há alguns
aspectos pouco luminosos da criação,
visto seu relacionamento com a assim chamada "não
esfera", o "excesso" além da
Criação de Deus. Tal rígida interpretação
tem nas bases do fundamentalismo cristão a sua
provável raiz. Até mesmo no julgamento
de Santo Agostinho encontraremos referências
ao numeral 11 como sendo um estandarte dos excessos
humanos, o "Brasão do Pecado", dizia
o pai da teologia cristã. O argumento que sustenta
este ponto de vista sobre o 11 é curioso: se
o número 10 compreende a totalidade da Criação
de Deus, representando o Universo propriamente dito,
aquilo que vier imediatamente após este número
estará fora do Plano Divino, além da
Vontade que tudo rege. Neste caso, o 11 aparece como
sendo o ser humano integral e não mais como
simples servo de Deus. Ele surgirá na forma
de "algo" que excedeu os limites da Criação,
que saiu do Paraíso perfeito e que agora caminha
por vontade própria.
Sob o ponto
de vista da religião thelêmica, inicialmente,
o número 11 comporta indica o total de batidas
(ou silabas) da frase inglesa "Do what thou wilt
shall be the whole of the Law", máxima
central do Universo Thelêmico. A tradução
mais próxima do original que conhecemos é: "Faze
o que queres há de ser o todo da Lei".
Embora nesta tradução haja a perda do
ritmo das 11 batidas, a frase mantém o ritmo
Quádruplo e Sétuplo da sentença
original. Mas, passemos para alguns outros mistérios.
Como todos sabem,
a primeira letra do alfabeto hebreu, "Aleph",
equivale a letra "A" latina. Seu valor Gemátrico é 1.
Assim, não fica difícil, por substituição,
relacionar a Ordem criada por Crowley, de nome A.'.A.'.
ao número 11. Os graus dessa Ordem somam um
total de 11 graus principais (se considerarmos o estado
de Probação 0=0 um Grau), classificados
de 1=10, 2=9, 3=8 etc., até 10=1. Curiosamente,
se somamos os números de qualquer uma dessas
classificações, (1+10 ou 2+9 ou etc.)
chegaremos a 11.
Nuit, entendida
pelo nome da Deusa Egípcia
Nu, possui valor igual a 56, segundo a Gematria. Note
que 5 + 6 = 11. Logo, temos um dos principais aspectos
femininos thelêmicos relacionados com o número
11. Mas essa relação não se limita
somente a Nuit. Para tal, basta lembra-nos do Trunfo
XI (Arcano 11 do "Livro de Thoth, mais conhecido
como "Tarot de Crowley)), batizado como "Lust",
com uma marcante representação de Babalon,
para vermos a relação direta desse outro
aspecto feminino com o numero 11.
Falamos do 6
e do 5. Todos devem conhecer aquela simbologia da
relação entre o Macrocosmos & Microcosmos,
o Universo & o Homem, o Hexagrama & o Pentagrama,
etc. & etc. Pois bem, em thelema, este símbolo
ganha proeminência pois (isso fica claro na antiga
imagem de um pentagrama dentro do hexagrama, 5 + 6)
a soma resultante é 11, numero, como estamos
vendo, de grande relevância dentro da Magick.
Porém, mesmo sendo esse símbolo de grande
significado para thelema, ele está carregado
de fundamentos do Eon de Osíris. Assim, Crowley,
em suas manias de inventar símbolos novos, para
representá-lo, tirou fora o Hexagrama (que é um
símbolo judaico, estando associada ao velho
Eon) e pós a sua Estrela Unicursal de Seis Pontas
e, do mesmo modo, ele substituiu o Pentagrama (também
um símbolo associado ao Velho Eon), que havia
no interior da estrela de seis pontas por um Trevo
de Cinco Pétalas. Resumindo: Este símbolo,
a Estrela Unicursal de Seis Pontas, com um Trevo de
Cinco Pétalas nela inserido, é a visão
thelêmica - segundo concebida por Crowley - da
relação entre Macro e Microcosmos, que
também é 11.
O Trevo, deve
estar posicionado com uma pétala
para cima, pois esse é o símbolo do Homem,
do Microcosmos (isso não tem nada a ver com
os conceitos de Bem e Mal). Na capa do Liber ABA (Magick),
por exemplo, na qual há o Signo de To Mega Therion
(são varias estrelas, inclusive o Hexagrama
Unicursal com o Trevo em seu centro), ele está corretamente
posicionado, com uma Pétala para cima.
11 também é o número da Magick,
propriamente dita. O Eon de Hórus é representado
no Tarot de Thoth pelo Trunfo XX, o Eon da Criança,
que faz um dos principais gestos da Arte, o Sinal de
Silêncio. Note que o Eon (XX) somado a Magick
(11) é igual a 31 (AL), Liber AL; mas também,
o mesmo Arcano 20, vezes a Magick (11) é igual
a 220, ou, o numero de versículos do Livro da
Lei de Crowley, (Liber AL).
Falamos acima
em "Magick". Crowley quando
começou a escrever "Magic", preferiu
adotar a forma do inglês elizabethano, o arcaico "Magick",
para diferenciar das formas ditas normais de magia
(magic).
Mais tarde o "k" adicional foi interpretado
como sendo o indicativo do tipo de magia adotada e
a natureza dos trabalhos propostos. Falamos acima sobre
o aspecto feminino do 11. Pois bem, o "k" alem
de ser a undécima letra do alfabeto inglês,
também o é no hebraico (kaph) e no grego
(kappa), também sendo a primeira letra da palavra "kteis",
que significa "vagina", em grego.
Mencionamos
o Signo de To Mega Therion. Mas qual seria a relação do 11 com o To Mega Therion
ou 666? Aqui já mostramos a relação
do número 11 com o Arcano associado a Babalon,
o Trunfo XI. A estrela de Babalon é aquela unicursiva
de 7 Raios, sendo a Gematria de Babalon de valor 156.
Este numero, 156 é representado pela seguinte
formula (77 + (7 + 7)/7 + 77). Ou seja, através
de 7 números 7 escrevemos 156, ou, como dito,
Babalon. Seguindo nesse raciocínio encontramos
7 x 7=49, e 4 x 9 = 36. E o número místico
de 36 (1+2+3+...+35+36) é o próprio numero
da Besta, 666. Por fim (por enquanto), a partir do
numero 11 também chegamos ao 666, de um outro
modo: O numero místico de 11 (somatório
de 11) é 66. Desse duplo número do Sol,
6, chegamos ao 36 (6 x 6). Já foi mencionado
aqui que o numero místico de 36 (o somatório
de 36) é igual a 666.
Ainda como complemento
adicional, não podemos
deixar de mencionar que o numero místico de
11 (o já citado 66) também é o
valor da palavra KHAM (20+5+1+40), cujas iniciais nos
indicam as Cidades apresentadas no Ritual de Minerval
da Ordo Templi Orientis, a saber: Korinto, Heliópolis,
Atenas e Metilene.
Finalizando,
vale sempre lembrar que "todo número é infinito"!
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e
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