Um
paralelo entre Nietzsche & Crowley: equívoco
comum.
por Carlos Raposo
www.artemagicka.com
Já afirmei, em artigos outros, existir alguma
rápida semelhança entre o que Crowley
e Nietzsche escreveram. Também afirmei que há diferenças
enormes (alias, existem bem mais diferenças
que semelhanças) entre ambos. Crowley, de fato,
alem de considerá-lo um santo, dizia que Nietzsche
havia sido para ele quase que um "avatar de Thoth,
o deus da sabedoria". Daí poderemos facilmente
concluir que há uma influência em Crowley,
de Nietzsche.
Porém não devemos exagerar na comparação. Certa
feita, recebi um e-mail onde o remetente inadvertidamente fazia a seguinte
afirmação de semelhança:
- "Deus está morto" (Nietzsche)
- "Eu estou só. Não há deus onde eu sou." (Crowley)
Deixo claro que não há a mínima semelhança entre
a afirmação de Nietzsche e a que consta no "Liber Legis" de Crowley,
principalmente se levamos em conta que a frase recebida por Crowley "Não
há deus onde eu sou" veio de uma suposta divindade, detalhe que certamente
provocaria risos raivosos em Nietzsche.
Mas, é claro, o que existe nestes casos é a velha e nem sempre
salutar ignorância que impera quando o assunto é Crowley. Alias, é muito
comum do iniciante buscar semelhanças em filosofias fortes (como a de
Nietzsche por exemplo), no intuito de dar algum ar de validade a algo que ele
mesmo não conhece muito bem. Isso se chama buscar autoridade de terceiros.
A tática até que funciona.
Mas sejamos claros: somente a titulo de esclarecimento, a quem se interessar,
a frase atribuída a Crowley "Eu estou só. Não há deus
onde eu sou" está longe de se originar em Nietzsche pois sua origem
e' a de sempre (ou quase a de sempre), quando se trata de Crowley: a Bíblia
Crista. Confiram em Isaías, 45, 5 "Sou eu que sou o Senhor, não
existe outro senão eu".
Comparem as duas frases (a da
Bíblia e a de
Nietzsche) e vejam qual delas de fato lembra Crowley.
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