Os
Iluminados da Baviera
Nota
Editorial: Este Artigo foi publicado na
Revista Sexto Sentido nº 40,
da Mythos Editora. Clique na imagem
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por Carlos
Raposo
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Em Primeiro
de Maio de 1776, na Alemanha, foi fundada uma sociedade
que passaria a representar a síntese dos anseios e ideais compartilhados
por Maçons e Rosacruzes: Os Iluminados. (ou
Iluministas. Hoje, eles também são conhecidos
como os Illuminati - embora haja o temerário
risco do termo levá-los a serem confundidos
com alguns movimentos esotéricos de nosso presente
século).
Seu mentor, Adam Weishaupt (1748-1830), era um Maçom de ascendência
judia, que havia tido educação católica e jesuíta.
Essa singular mistura daria a Weishaupt uma grande versatilidade de pensamento,
bem como independência de opiniões.
De raro e reconhecido talento, Weishaupt se graduou em Direito pela Universidade
de Ingolstadt, onde passaria a exercer a profissão de professor titular
de Direito Canônico, além de ser decano da Faculdade de Direto.
Durante seu estudos, antes de sua graduação acadêmica,
Weishaupt obteve preciosos conhecimentos a respeito dos antigos ritos ditos
pagãos e das religiões antigas. Nesses seus "aprendizados paralelos",
Adam Weishaupt muito absorveu dos antigos costumes, dando especial ênfase
aos Mistérios de Elêusis e aos ensinamentos de Pitágoras.
Com base nesses conhecimentos, Weishaupt iniciava um esboço de uma Sociedade
modelada segundo os conceitos do paganismo e da tradição dos
mistérios ocultos. Porém, apenas após ele ter sido iniciado
na Maçonaria (ao que tudo indica, Adam Weishaupt teria sido iniciado
em Munique, por volta de 1774. Alguns autores, entretanto, apontam para 1777.
Outros negam sua possível afiliação Maçônica) é que
seu plano de formar uma nova Sociedade Secreta encontrou força suficiente
para prosseguir. E assim foi feito.
Originalmente fundado como a "Sociedade dos Mais Perfeitos" (Perfekbilisten),
os Iluminados, em princípio, contaram com a adesão de apenas
cinco participantes. Entretanto, tão logo foi começado a difusão
de seus ideais, os Iluminados começaram a receber a adesão de
vários novos membros, todos entusiastas dos propósitos de Weishaupt.
Os Iluminados da Baviera - como também eram conhecidos os Iluminados
- eram dirigidos por um conselho de Areopagitas liderado por Weishaupt, que,
para essa função, usava o pseudônimo de "Spartacus". A
estrutura básica dos Iluminados era composta de três graus, a
saber: I* - Aprendiz (ou A Sementeira); II* - Maçonaria Simbólica;
e o III* - Grau dos Mistérios. Os dois primeiros graus, por sua vez
se subdividiam em outros três graus intermediários, enquanto que
o III* era divido em Mistérios Menores e Maiores, que, por sua vez,
também se subdividiam em graus intermediários. O total de Graus
perfazia 12 estágios: começando em Noviço (o primeiro
estágio do I*), até o Grau XII*, sob o título de Rex,
ou Rei da Ordem. (Do sistema de graduação dos Iluminados veio
a estrutura básica de algumas Ordens que hoje existem. Por exemplo,
não chega a ser uma novidade o fato de uma bem famosa organização
Rosacruz atual ter 12 Graus de Templo. Da mesma forma, uma das mais conhecidas
Ordens Templárias de nossos dias, possui o grau de Rex, para a sua liderança.)
O Grau de Noviço era tomado com a idade mínima de 18 anos, quando
o novo aprendiz, através de indicação de alguém
de confiança da Ordem, tinha acesso aos Iluminados, passando a receber
suas primeiras instruções. Para ascender aos Graus subsequentes,
havia um período de Provação de, pelo menos, um ano. (Novamente,
o modelo adotado pelos Iluminados, segundo a concepção de Weishaupt,
seria o padrão para uma série de outras escolas )
A função principal dos Graus superiores dos Iluminados era, através
de todo um processo simbólico, baseado em toda uma temática libertária,
impregnar seus Iniciados com esses ideais.
Como já dito, não só devido a proposição
Iniciática de Weishaupt, mas também pelo modo como os Iluminados
entendiam os sistemas políticos vigentes da época, interferindo
quando julgavam necessário, logo eles alcançaram uma enorme repercussão
por toda a Europa. O iluminismo, aos poucos, ganhava a adesão de importantes
nomes do cenário Europeu, influenciando decisões que mudaram
o rumo de alguns países do velho mundo. (os Iluminados - assim é afirmado
-atuaram decisivamente na revolução francesa)
A visão política dos Iluminados era
algo próximo de um Estado onde reinaria o bem
comum, sendo abolidos a propriedade, autoridade social
e as fronteiras. Uma espécie de anarquismo superior,
saudável e utópico, onde o ser humano
viveria em harmonia, numa Fraternidade Universal, baseada
na sabedoria espiritual, em franca Igualdade, Liberdade
e Fraternidade.
Segundo alguns
historiadores, os discursos de Weishaupt iam de encontro
aos poderes estabelecidos, quais sejam, esbarravam,
em franca oposição, à Monarquia,
como instituição política; a Igreja,
como instituição religiosa e aos grandes
proprietários, como instituição
econômica. (Hoje, por todos esses ideais, Weishaupt
seria facilmente taxado de "comunista". Entretanto,
na época, esse modelo político ainda
não havia sido devidamente sistematizado, nem
definido. Outro ponto que devemos levar em consideração,
antes de simplesmente considerá-lo um comunista, é que,
as bases Religiosas que moviam os Iluminados, provavelmente
eram, mesmo que uma utopia, bem nobres e absolutamente
contrária ao que hoje consideramos como sendo
de natureza "comunista").
Weishaupt chegou
a constituir toda uma eficiente rede de espionagem,
na forma de agentes espalhados pelas principais cortes
da Europa. A função
básica dessa rede era se infiltrar entre o clero
e os regentes, conseguindo informações
políticas que permitissem a elaboração
de uma estratégia de ação Illuminati,
no sentido de se permitir a criação do
Estado Ideal.
Após muitas
tentativas de se estabelecer uma nação
segundo seus princípios,
os Iluminados foram politicamente extintos, em decreto
instituído pelo Eleitor da Baviera, ao final
do século XVIII.
A velha história, de perseguição,
calúnias
e, por fim, ostracismo, novamente se repetia, pondo
um fim nos ideais defendidos por Adam Weishaupt e os
Illuminati, os Iluminados da Baviera. |